PTT.br age para garantir alta performance da Internet na Copa 2014

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Em 2010, a estreia do Brasil na Copa do Mundo causou uma queda de 60% no tráfego da internet no país em um horário geralmente considerado de pico. Mas para 2014, com a realização dos jogos aqui, é esperado uma aumento considerável do tráfego interno e do tráfego de saída. Para garantir a alta performance da Internet dentro do país, evitando que congestionamentos perturbem o acesso dos usuários aos serviços da Globo.com (que transmitirá os jogos ao vivo), Google e Facebook, entre outros, os técnicos do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) responsáveis pelo PTT.br, anunciou uma série de medidas que já estão sendo tomadas para reforçar os pontos de troca de tráfego, especialmente nas cidades sede do jogos.

A primeira providência foi garantir a existência de PTTs em todas as cidades sedes da Copa, já que localidades do PTT.br representam pontos críticos da infraestrutura de Internet no Brasil. Das doze cidades sede, falta apenas Cuiabá, cuja instalação está prevista para o primeiro trimestre de 2014.

Outra providência será o reforço da estrutura dos PTTs do Rio de Janeiro e São Paulo, onde acontecerão os jogos de abertura e da final da Copa e onde a Globo.com está presente. O provedor da Rede Globo está investindo R$ 100 milhões em um novo data center, no Rio de Janeiro, um data center secundário em São Paulo, links de 100Gbps aos PTTs do Rio e São Paulo e em um PIX no Rio de Janeiro. E planeja aumentar seus pontos de presença, incluindo Fortaleza, Brasília, Porto Alegre.

Abre parêntese: porque isso é importante?

É comum ouvir dizer que a Internet é uma “rede de redes”. No entanto, a maioria dos seus usuários não técnicos a imagina como algo abstrato… As redes que compõem a Internet são chamadas de Sistemas Autônomos, ou simplesmente ASes (do inglês Autonomous Systems). Elas podem ser provedores de trânsito, provedores de serviços, ou simplesmente usuários finais.

Sem entrar em mais detalhes técnicos, é possível imaginar duas organizações conectadas à Internet originalmente através de provedores. Se elas providenciarem um enlace entre si podem passar a trocar informações sobre a localização dos recursos de cada uma diretamente, através do protocolo BGP. A troca de dados entre as duas, então, deixa de ser feita através dos provedores, e passa a ser feita de forma direta. A esse tipo de relação se dá o nome de peering ou troca de tráfego.

Ao permitir a troca de informações entre todos os provedores e instituições que estejam conectados no PTT, a informação chega mais rápido aos destinatários. Sem o PTT local, a informação contida em um e-mail enviado pela Prefeitura para um cidadão, teria que ir até São Paulo e voltar para chegar ao destinatário. Agora, se o provedor deste destinatário, estiver ligado ao PTT, o e-mail vai fazer um percurso menor.

Portanto, um PTT tem o objetivo de ajudar os participantes da Internet a estabelecerem a troca de tráfego de informações entre si, com redução de despesas e maior qualidade de conexão. Quantos mais PTTs regionais, menor o caminho percorrido para a troca de tráfego, portanto maior volume de dados e velocidade nas operações. Quanto mais provedores e entidades se conectando a um PTT, mais interessante fica para os outros se conectarem, uma vez que um maior volume de tráfego pode ser trocado através dele.

Trocando em miúdos, provedores de acesso e de conteúdo conectados a um PTT controlam melhor o tráfego que entra e sai de sua rede e são capazes de reduzir os custos decorrentes da troca de tráfego, aumentar a segurança, reduzir a latência… Ou seja, de oferecer uma operação mais eficiente e melhor para os clientes da sua rede e para a Internet como um todo.

Iniciado em 2004 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGIbr), o projeto PTTMetro (PPT.br) promove a infraestrutura necessária (PTT) para a interconexão direta entre as redes (Autonomous System Numbers – ASNs) que compõem a Internet Brasileira.

E o que é um PIX? Os PTTs possuem um ou mais pontos de interconexão, que são chamados de PIX (Pontos de Interconexão), e cada um deles está conectado a um ponto central. O ponto central é preferencialmente uma entidade neutra, como o próprio NIC.br, em São Paulo, ou POPs da RNP em outras regiões, mas isso não é obrigatório. Os demais PIXes normalmente são comerciais, e conectam-se ao ponto central através de fibras ópticas apagadas e, geralmente, redundantes.

Fecha parêntese.

Voltando aos preparativos para a Copa, as atividades de inclusão de participantes no PTTMetro estarão suspensas de 12 maio à 13 julho de 2014. Durante esse período, segundo Milton as atividades do PTT.br serão restritas ao suporte e à operação dos PTTs, segundo Milton Kaoru Kashiwakura, Diretor de Projetos Especiais e de Desenvolvimento do NIC.br. “Não serão realizadas atividades de ativação”, diz ele.

Hoje, existem 25 Pontos de Troca de Trafego instalados no Brasil, a maioria deles nas capitais. Outros dois estão em processo de instalação: Marília e Cuiabá.

PTTMetro troca mais de 268 Gbit/s (pico por dia ) de tráfego de Internet através do projeto. E como um participante pode estar em mais de um PTT dentro do projeto e com o mesmo Autonomous System Number (ASN), o número total de interligações aos PTTs é de 902, contando as presenças replicadas em mais de um PTT. São 92 PIXes, 499 interfaces de 10Gb e 1703 interfaces de 1Gb. Já não existe mais quase diferença de tráfego entre os dias de semana e o fim de semana. O volume, que j;á foi desigual, é praticamente o mesmo. O que ainda varia é o horário de pico: na parte da tarde, durante a semana e à noite, nos fins de semana. O horários de menor tráfego continua sendo a madrugada, entre 1h e 6h.

Participam do PTTMetro diversos tipos de instituições e empresas, como bancos, universidades, corporações de conteúdo, provedores de serviços, emissoras de televisão, empresas de telecomunicações, órgãos dos Governos Municipais, Estaduais e Federal, entre outros segmentos. “As operadoras tiveram que aderir, por conta do programa de medição de qualidade da banda Larga, o Simet”, comenta Milton Kaoru Kashiwakura. “Algumas até já estão trocando tráfego, de forma seletiva, com parceiros”, diz, fazendo questão de ressaltar que a importância da troca de tráfego aberto por parte das operadoras, algo que ainda não acontece hoje.

De acordo com Milton, o projeto PTTMetro está preparado para suportar o dobro do tráfego atual.

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